Mamona (Ricinus communis) como Cultura de Duplo Uso: Engenharia de Processos Verdes para o Ácido Ricinoleico e Barreiras de Biossegurança contra a Ricina
Palavras-chave:
Ricinus communis, Ácido Ricinoleico, Ricina, Óleos Vegetais, BiossegurançaResumo
A Ricinus communis apresenta singularidade agronômica ao fornecer ácido ricinoleico (AR) de alto valor farmacêutico e, simultaneamente, alojar a toxina proteica ricina. Esta revisão narrativa (2015-2025) investigou estratégias de processo e de biossegurança capazes de maximizar o rendimento terapêutico do AR e mitigar riscos toxicológicos. Foram pesquisadas PubMed, Scopus e SciELO; cinco artigos nucleares atenderam aos critérios SANRA-6. Rotas enzimáticas “verdes” (Lipozyme TL IM, 45 °C, pH 7) atingiram conversão média de 96 %, sem subprodutos relevantes. Protocolos de autoclavagem seguidos de lavagens sucessivas reduziram a ricina residual da torta a < 0,1 mg kg⁻¹, viabilizando sua inclusão até 45 % em dietas ovinas e caprinas sem prejuízo zootécnico. A revisão evidencia que a integração de Boas Práticas de Fabricação, análise de perigos e rastreabilidade digital estabelece barreira robusta a envenenamentos acidentais ou deliberados, ao mesmo tempo em que cria oportunidades para dermocosméticos anti-inflamatórios e sistemas nanoestruturados de liberação lenta. Lacunas futuras concentram-se em ensaios clínicos do AR, padronização de biomarcadores de exposição e edição genômica de cultivares low-ricin. Conclui-se que ciência de processos, toxicologia e governança convergem para transformar o paradoxo da mamona em paradigma de bioinovação responsável.
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